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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

UMA PALAVRA AOS PASTORES DESANIMADOS


James A. Thomson

Os ministros que têm uma atitude desanimada para com seu trabalho deveriam ler novamente estas palavras: “acaso é para vós outros cousa de somenos que o Deus de Israel vos separou da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de cumprirdes o serviço do tabernáculo do Senhor e estardes perante a congregação para ministrar-lhes?” (Nm 16.9). O que tinha feito o Senhor a estes homens?

Primeiro, o Senhor “separou” os ministros da congregação do povo do Senhor. O Senhor os colocou a parte, quando os escolheu dentre os seus irmãos.

Segundo, “para vos fazer chegar a Si”. Todo o povo do pacto de Deus habitava na sua presença e usufruía da sua comunhão. Mas de um modo especial, o Senhor trouxe estes ministros para perto de Si. Eles foram privilegiados em pôr de lado seus trabalhos normais e devotar-se a buscar a sua face, a conhecer a sua palavra. “Nos consagraremos à oração e ao ministério da Palavra” (At 6.4).

Estas coisas o Senhor fez aos ministros. Qual então, deveria ser sua função? Era basicamente dupla. Primeiro, eles deviam “cumprir o serviço do tabernáculo do Senhor”. Sob a disposição da Velha Aliança, isto significava as várias cerimônias, oferendas e deveres ligados ao tabernáculo.

Depois, em segundo lugar, “deviam estar perante a congregação para ministrar-lhe”. O ministro recebia a Palavra do Senhor e então a entregava fielmente ao povo. O ministro ficava como mensageiro de Deus e pregava a palavra viva de Deus. Ele diligentemente aplicava aquela Palavra para eles em seus casos e vidas específicos.

O problema era que os “ministros” a quem se refere Números 16 tinham tudo isto como “uma pequena coisa”. Eles eram escolhidos pelo Senhor, separados para o seu serviço, incumbidos da administração do tabernáculo, encarregados da pregação da Palavra de Deus – tudo isso, e eles consideravam “coisa de somenos!” O episódio sugere lições importantes para nós hoje.

Uma visão pobre do ministério não é precisamente culpa da igreja ou da sociedade. Sugerimos que os ministros do evangelho devem recordar seu honroso chamado com mais freqüência. Como Paulo, eles fariam bem em “Glorificar seu ministério” (Rm 11.13). Possa o Senhor da igreja que é o Senhor de tudo, renovar seus servos em seu alto e nobre chamado! Possa ele encher seus corações com fogo e suas colunas dorsais com aço! Possam os ministros não verem a si mesmos, “ajudantes de carreira” na sociedade, nem como “gerente de pessoal” na igreja, mas possam eles verem-se a si mesmos como escolhidos, ungidos e honrados pelo Senhor.

O ministério é uma honra advinda do Senhor Jesus Cristo. Uma visão bíblica do ministério da Nova Aliança deve começar com Efésios 4.11: “E Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”... “Para o trabalho do ministério”. O pastor–mestre é um dom do Senhor que ascendeu, para a Sua igreja. Como I Tm 1.12 coloca: ”Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério“. Que honra advinda de Cristo Jesus, ser colocado no ministério e depois ser habilitado para realizar a obra da sua graça! John Brown podia dizer que o ministro é ”por Cristo designado, dirigido, sustentado e recompensado“. Que honra inexprimível ser tão completamente dependente do Senhor da Glória!

Um dos ministros da Nova Inglaterra olhou para trás com humildade quando se comparou a Davi no Salmo 78.70: “Também escolheu a Davi, seu servo, e o tomou dos redis das ovelhas”. “O idoso pregador não viu qualquer razão por que o Senhor o teria tirado do seu ”aprisco“ e o honrou com um ministério frutífero para muitas almas. Se qualquer ministro mantiver este avançado conceito, que o Senhor o elevou ao ministério por sua graça, isto fará muito para mantê-lo afastado de uma visão pobre do pregar.

Jonathan Edwards pregou um memorável sermão, “A Verdadeira Excelência de um Ministério do Evangelho”. Ali ele mostrou como Jesus havia honrado João Batista, (Jo 5.35): “Ele era a lâmpada que ardia e alumiava”. E assim, solicitou Edwards, todo ministro deve lutar para brilhar, pois Cristo “aprecia grandemente” seus ministros. Edwards também chamou a atenção para os filhos de Eli que não cumpriram seu ofício. “Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser meu sacerdote, para subir ao meu altar, para queimar o incenso e para trazer a estola sacerdotal perante mim; Por que pisais aos pés os meus sacrifícios?” (I Sam2. 28,29 a). Vemos nestes filhos de Eli o mesmo coração existente em Coré, o coração que vê levianamente a grande honra do serviço para o Senhor.

O ministro de Cristo deveria olhar para o seu ofício com o mesmo apreço com que o próprio Mestre o faz. Fazer qualquer coisa menos é desonrar seu nome e ter uma visão pobre do privilégio que lhe é conferido. O ministério é um nobre chamado. Paulo não hesitou em dizer: “Eu magnífico o meu ofício”. Jeremiah Burroughs escreveu: “A obra do ministério é uma grande obra... Cristo a considera uma coisa importante... oh, que aqueles, então, que estão no ministério considerem isto uma obra poderosa e importante, como uma tarefa solene”. Se Moisés diz que é uma grande coisa, e Paulo supremamente, Cristo, então quem somos nós para ter visão pobre do ministério cristão? Dr. Martin Lloyd –Jones deixou um exemplo encorajador para os ministros. Ele deixou uma carreira médica promissora e ainda testificou ao longo de sua vida que não viu isto com sacrifício. Ao contrário, sentiu-se profundamente privilegiado em ter sido chamado para ser ministro do evangelho. Através dos anos, muitos pregadores desanimados chegaram à sacristia da capela de Westminster e saíram com uma visão elevada do ministério e não menos do seu próprio ministério.

Em sua exposição de Efésios, Dr. Lloyd–Jones afirma: “Este é o significado e o propósito do ministério. Esta é a minha função como um pregador e mestre, fui chamado para fazer isto. Passei meu tempo lendo este livro e tentando expô-lo. Esta é a razão porque vocês devem vir e ouvir”. Oh, que todos os ministros possam manter esta atitude com relação ao ministério e não hesitar em dizer assim ao seu povo! Faria um grande bem para nós relembrar o que Latimer disse uma vez para um homem que cinicamente afirmou que pregar “de nada adianta”. Latimer replicou: “Esta é uma resposta perversa, mui perversa”.

O ministro deve clamar ao Senhor para revigorá-lo com um devotamento paciente para a grande obra. Se existe uma porção da Escritura inerrante para a qual ele deve voltar-se, é I Co 4: “Assim, pois importa que os homens nos considerem como ministros e despenseiros dos mistérios de Deus... nos tornamos espetáculo... somos loucos por causa de Cristo... desprezíveis... sendo injuriados... caluniados... escoria de todos” (I Cor 4.1-13). Aqui está um ministro que sabe, ele próprio, ter sido designado por Cristo e comissionado com os mistérios do evangelho. Que grandiosa coisa! E, contudo, que coisa pequena é aos olhos do mundo – algumas vezes também aos olhos da igreja. Que pode fazer e dizer o ministro? “O que se requer dos despenseiros é que cada um deles seja encontrado fiel”.

No final, o que importa é a fidelidade ao Senhor. “Quem é, pois o servo fiel e prudente, a quem o senhor confiou os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo? Bem aventurado aquele servo a quem seu senhor, quando vier, achar fazendo assim” (Mat 24.45,46).

O ministro, porém, pode perguntar: “Senhor, se tu tens me enviado e eu estou falando fielmente, por que esta grande obra parece não ser bem sucedida?”. Aqui o ministro deve permanecer com Paulo: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus... cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho” (I Cor 3.6,8). O Senhor da seara o enviou para plantar, mas não para ver uma vasta colheita? Então, seja devotado à honra de plantar e regar para o Senhor. Spurgeon uma vez colocou assim: “Sua esfera pode ser muito limitada. Isto não importa; mas importa que você seja fiel ao Senhor”. Ministro seja devotado a sua grande obra, pois não há “coisa pequena” a ser encontrada, fazendo o que o Senhor o enviou a fazer.

Como em nossos dias veremos um retorno a uma visão elevada do ministério? Deveria começar com o próprio ministro. Ele deve ter a ousadia dada por Deus para permanecer diante do povo de Deus, sabendo em sua própria consciência que ele é um ministro de Cristo. “Ele me enviou para falar e mostrar para vocês grandes coisas da sua Palavra. Por isto é que vocês devem ouvir”.

Hoje não vemos o parlamento sentado aos pés de um Owen. O povo de Boston não se extasia mais com as palavras de um Jonh Cotton. Mas, os ministros ainda são honrados quando verdadeiramente servem a Cristo. Possam os servos do Senhor magnificar seus ofícios por suas vidas santas, por sua pregação poderosa e por seu devotamento à maior obra de todas! Possam as igrejas apreciá-los altamente, em amor, por causa do trabalho que realizam (I Ts 5.13)!



quinta-feira, 23 de abril de 2009

Você Não é um João Ninguém

Charles Swuindoll

 

Arranque do banco da sua memória uma folha de papel de rascunho e veja como você se sai nas seguintes perguntas:

1)      Quem ensinou a Martinho Lutero sua teologia e inspirou sua tradução do Novo Testamento?

2)      Quem visitou a Dwight L. Moody numa loja de calçados e falou-lhe a respeito de Deus?

3)      Quem trabalhou ao lado de Harry Ironside e o incentivou como seu pastor auxiliar?

4)      Quem era a esposa de Charles Haddon Spurgeon?

5)      Quem era a mulher idosa que orou fielmente a favor de Billy Graham por mais de vinte anos?

6)      Quem financiou o ministério de William Carey na Índia?

7)      Quem revigorou o apóstolo Paulo naquela masmorra romana enquanto ele escrevia sua carta a Timóteo?

8)      Quem ajudou Charles Wesley a pôr-se a caminho como compositor de hinos?

9)      Quem encontrou os Pergaminhos do Mar Morto?

10)   Quem pessoalmente ensinou a G. Campbell Morgan, o “expositor incomparável”, suas técnicas no púlpito?

11)   Quem sucedeu a Hudson Taylor e deu à Missão da China Continental sua notável visão e direção?

12)   Quem disciplinou George Muller e arrebatou-o de seu estilo de vida pecaminosa quando jovem?

13)   Quem foram os pais do piedoso e dotado profeta Daniel?

 

Muito bem, como é que você se saiu? Mais de 50 por cento? Talvez 25 por cento? Não chegou a tanto?

 

Antes que você se desculpe por sua incapacidade de responder às perguntas chamando o questionário de “insignificante”, melhor é parar e pensar. Não fora por aquelas pessoas desconhecidas – aqueles “joões-ninguém” – uma enorme parcela da história da igreja estaria faltando. E vidas e mais vidas não teriam sido tocadas.

 

Joões-ninguém.

 

Que necessário bando de homens e de mulheres... servos do Rei... não obstante sem nome no reino! Homens e mulheres que, com heroísmo silencioso, mas com fiel diligência, desistiram da luz da ribalta e viveram à sombra de figuras públicas.

 

Como é que Jim Elliot, o martirizado mensageiro do Evangelho aos Aucas, definia os missionários? Algo como um bando de joões-ninguém tentando exaltar Alguém.

 

Mas não confundamos anônimos com desnecessários. Do contrário, todo o Corpo fica aleijado... paralisado mesmo... ou, na melhor das hipóteses, terrivelmente aturdido à medida que a maioria dos membros que estão no Corpo se tornam enfermos com autocompaixão e desânimo. Enfrente isto, amigo: o Cabeça do Corpo, atira como quer. É prerrogativa dele dar publicidade a alguns e ocultar outros. Não me pergunte por que Ele escolhe aqueles a quem Ele usa.

 

Se Ele deseja usá-lo como um Melanchthon e não como um Martinho Lutero... ou um Kimball em vez de um Moody... ou um Onesíforo em vez de um Paulo... ou um Hoste em vez de um Taylor, aceite!

 

Melhor do que isso, dê louvor a Deus! Você está entre aquele grupo de elite mencionado em 1Co 12.22,24...

 

Se não fossem os heróicos “joões-ninguém”, não teríamos oficiais de primeira categoria para dar a uma igreja sua liderança. Ou o som de qualidade quando todos se apresentam para adorar. Ou os zeladores que fazem a limpeza depois que todos se retiraram. Ou as comissões que proporcionam dezenas de serviços nos bastidores. Ou os voluntários de missão que fornecem pessoal aos escritórios no país ou trabalham na obscuridade além-mar apenas com um punhado de pessoas. Pensando bem, se não fosse por esses fiéis “joões-ninguém”, você não estaria lendo esta matéria neste preciso momento.

 

Joões-ninguém... exaltando Alguém.

 

É você um deles? Ouça-me! São os “joões-ninguém” que Alguém escolhe com tanto cuidado. E quando Ele escolheu você para desempenhar esse papel, Ele não o considerou um João-ninguém.

 

Anime-se!

 

SWINDOLL, Charles R. Dê-me Ânimo: Palavras carinhosas para corações pesados. São Paulo: Editora Vida, 1999. – p.29-32

 

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