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terça-feira, 17 de maio de 2022

“Crentes” teóricos? Essa não!!!

 “Crentes” teóricos? Essa não!!!

o-perfil-de-um-fariseu                                                                                    Pr Milton Jr.

É notório o grande crescimento dos interessados no estudo da teologia em nossos dias. Os seminários e faculdades teológicas têm se proliferado; na rede mundial de computadores, com uma rápida pesquisa, percebemos que o número de “debatedores” da doutrina é cada vez maior. São arminianos, calvinistas, liberais, dispensacionalistas, carismáticos, pentecostais, cada um defendendo o seu ponto de vista com veemência.

Em princípio, esse quadro deveria nos causar alegria, afinal de contas é muito bom ver pessoas interessadas nas Escrituras e debatendo sobre a Palavra. Mas uma pergunta tem de ser feita: os que têm discutido com tanta paixão têm experimentado um crescimento em santidade decorrente do conhecimento bíblico que professam?

Há um perigo muito grande em tornar a doutrina um fim em sim mesmo. Há na Palavra de Deus advertências sérias quanto a isso. Na epístola de Tiago a ordem é para que os crentes sejam praticantes da Palavra e não somente ouvintes, pois os que são simplesmente ouvintes enganam-se a si mesmos (Tg 1.22). Em seu ministério o Senhor Jesus repreendeu incontáveis vezes os escribas e fariseus, chamando-os de hipócritas, justamente por falarem e não fazerem. Ele chegou a ensinar a multidão, com respeito aos fariseus, da seguinte maneira: “Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mt 23.3).

Eis aí o retrato de um “crente” teórico. É aquele que tem a doutrina na ponta da língua, muitas vezes decora vários versículos bíblicos, é capaz de discorrer com propriedade sobre as doutrinas mais complexas, mas não a vive no seu dia-a-dia. Esse tipo de pessoa, como afirma Tiago, engana-se a si mesmo, pois, como bem afirma John Blanchard, “o crescimento cristão requer mais do que conhecimento da Bíblia; ninguém jamais se alimentou decorando cardápios”[1].

Há no Novo Testamento uma igreja que foi elogiada pelo Senhor Jesus pelo seu conhecimento doutrinário. O Senhor chega a afirmar que aqueles crentes colocaram à prova os falsos mestres que se declaravam apóstolos e os acharam mentirosos (Ap 2.2-4). Pelo visto, aqueles irmãos eram bastante preparados no que diz respeito ao conhecimento doutrinário, contudo, Jesus os repreende dizendo que haviam abandonado o primeiro amor.

Infelizmente, isso é mais comum do que se imagina. Mesmo dentro de nossas igrejas, temos membros que foram doutrinados desde a tenra idade, que frequentam regularmente os cultos, mas por mero costume. A doutrina não tem efeito prático em suas vidas e eles demonstram que, à semelhança dos crentes de Éfeso, deixaram o primeiro amor.

Devemos ter muito cuidado para não ser meramente religiosos e também para não cair na cilada de colocar o amor à doutrina à frente do amor ao Senhor, pois fazer isso é incorrer na quebra do primeiro mandamento (Êx 20.3).

É claro que só se pode amar o Senhor tendo um conhecimento correto de sua Palavra, mas nem sempre conhecimento teológico é sinônimo de piedade e amor ao Senhor.

Fujamos, portanto, do farisaísmo procurando conhecer profundamente as Escrituras, mas com a finalidade de amar e honrar, pela sua prática, o Salvador.



[1] John Blanchard. Pérolas para a vida. São Paulo: Vida Nova, 1993.


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domingo, 15 de maio de 2022

Olhe-se no Espelho e Encontre a Resposta

 Olhe-se no Espelho e Encontre a Resposta


                                            Pr Samuel Vitalino

Pode parecer estranho, mas acho que não precisamos procurar muito para encontrarmos nosso pior inimigo. Via de regra o crente joga essa alcunha para Satanás, como se ele, sozinho, pudesse fazer alguma coisa concreta contra nós, além de urdir seus planos e ‘tentar’ nos devorar.

Outra tendência do nosso coração é eleger as circunstâncias como nossa grande vilã. Note que não é incomum nos nossos arraiais vermos pessoas justificando pecados atrás de família, criação, ambiente e essa lista poderia ser interminável.

Mas o que a Bíblia diz? Quem é o nosso inimigo mais próximo, perigoso e cruel? Com quem devemos ter mais cuidado na nossa luta incessante contra o pecado, já que sem a santificação ninguém verá o Senhor?

Achei que nunca fosse dizer isso tendo um bom significado, mas aqui vai: olhe-se no espelho e encontre a resposta[1].

Quando Paulo escreve aos Gálatas e nos manda andar no Espírito, afirma: Porque a carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer (Gl. 5:17). Não fazer o que se quer não é algo fácil, por isso a grande luta do mesmo Paulo em Romanos 7.

Tiago, quando fala sobre tentação, não aponta para a figura do conhecido Tentador, mas ao falar da origem do pecado, declara que cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando essa o atrai e o seduz. Note que a coabitação entre a minha cobiça e eu mesmo faz com que eu gere um filho que tem duas vezes o meu DNA e isso é algo que preciso me desvencilhar, pois é o que me matará; então a cobiça, depois de haver concebido, dá a luz o pecado, e o pecado, uma vez consumado, gera a morte (Tiago 1:14,15).

Pedro também trata do assunto ao ordenar que não devemos nos entregar às nossas próprias paixões, como fazíamos antes e na continuação desse argumento, ele nos exorta, como peregrinos e forasteiros, que nos abstenhamos das paixões carnais que fazem guerra contra a alma.

Não é fácil. Mas os Apóstolos acima aprenderam essa lição com o próprio Mestre. Eles foram convocados negarem-se a si mesmos, e instruídos a entrar pela porta estreita.

Você não consegue deixar o pecado e está procurando o culpado? Enquanto muitos falsos mestres tentarão achar um álibe para a o seu pecado, deixe-me conduzi-lo ao espelho para que você veja, cara a cara, quem é o verdadeiro problema, e se quiser reclamar de alguma coisa, aprenda com Jeremias: Queixe-se cada um dos seus próprios pecados (Lamentações 3:39).

Pelo Reino e com amor,



[1] Não são batidos os textos que falam da corrupção do nosso coração, mas como já são tão conhecidos, trarei alguns outros que se somam a Jeremias 17:9, Provérbios 6:14; 12:20 e outros.

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quarta-feira, 20 de abril de 2022

Não inverta a ordem

 Não inverta a ordem

achato3                                                                                        Milton Jr.

Se seu irmão pecar contra você, vá até ele e, se ele se arrepender, a questão está resolvida. Se não se arrepender, chame uma ou duas testemunhas e vá novamente a ele. Se ele não atender, diga à igreja e se, por fim, não ouvir também a igreja, considere-o gentio e publicano, ou seja, trate-o como se não fosse da igreja. De forma resumida, é este o ensinamento de Jesus em Mateus 18.15-17 sobre o que fazer quando somos alvo do pecado do irmão.

Ainda assim, muitos teimam em inverter a ordenança do Senhor.

Consideremos um exemplo hipotético: José peca contra Manoel. A primeira atitude de Manoel é considerar José gentio e publicano, pois começa a evitá-lo. Ele não faz mais parte de “sua” igreja. Pode até freqüentar o mesmo local de culto, mas não faz parte de sua igreja particular. Depois disso, Manoel começa a campanha de falar aos outros o que José lhe fez e o quão pecador ele é. Talvez um dia, Manoel venha saber que José estava magoado com ele e se arrependa ou acabe também se chateando, e algo que poderia ser resolvido seguindo os passos bíblicos se torna um grande conflito onde o que interessa é saber quem pecou primeiro.

Na primeira vez que li sobre a ordem de Jesus fiquei a questionar: Porque o ofendido é quem tem de procurar o ofensor? A obrigação de procurar deveria ser de quem ofendeu e não o inverso.

Hoje entendo que é porque muitas vezes ficamos ofendidos e o irmão nem sabe o que nos causou. Pode ser que ele não tivesse a intenção de nos magoar e acabou magoando, mas nunca saberá disso, a não ser que, cumprindo a ordem de Jesus, o procuremos para que a paz se estabeleça e Deus seja glorificado.

Infelizmente, o que muitas vezes nos impede é o orgulho pecaminoso, é achar que quem nos ofende não é digno de que o procuremos, é nos achar melhores que os outros e que não existe a mínima possibilidade de fazermos algo semelhante.

Da próxima vez que nos sentirmos ofendidos, humildemente sigamos o padrão estabelecido pelo Senhor, se não temos feito isso até então. Certamente, essa é a única e melhor maneira de resolver os nossos problemas. Lembremo-nos de que o pecado do nosso irmão não autoriza ou justifica o nosso pecado de deixar de lado o que o Senhor nos ensinou.

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sexta-feira, 25 de março de 2022

Maldição hereditária ou pecado pessoal?

 Maldição hereditária ou pecado pessoal?

                                                                                                                Ewerton B. Tokashiki 
Há alguns anos o meio evangélico perpetua uma confusa e prejudicial doutrina. Este ensino diz que: "apesar de você ter Jesus como o seu Salvador, e ser salvo, é possível que existam maldições hereditárias, ou seja, maldições por causa dos pecados de algum antepassado que não foram confessados e perdoados, e que conseqüentemente, ainda recaem sobre a sua vida". Então, com esta doutrina se conclui que "por isso, você não é abençoado, não prosperá, e por causa disso você tem doenças e males que não consegue se livrar, apesar de ser salvo", e quando ainda não insistem que há demônios dominando a vida do sujeito. Quem viveu, ou conhece alguém que crê nisto sabe do prejuízo que este falso ensino causa.

Seus defensores, geralmente, usam como base bíblica a passagem em que Deus declara que "visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem" (Êx 20:5). Li anos atrás um texto do Rev. Júlio A. Ferreira em que dizia que: a Bíblia mal interpretada torna-se a mãe das heresias! Façamos justiça ao significado do texto, interpretemos o texto dentro do seu contexto. Sabemos que esta ameaça pronunciada por Deus se refere aos que não eram salvos, e permaneciam na idolatria, desprezando ao único Deus vivo e verdadeiro, revelado o Deus da aliança - Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. A Escritura não está declarando que apesar de convertidos Deus ainda assim persistirá em amaldiçoar por causa dos pecados dos pais! A maldição é para aqueles que aborrecem ao Senhor, e não sobre os que o amam; porque sobre os que amam o Senhor, a misericórdia perdurará até mil gerações! (Keil & Delitzsch, Biblical Commentary on the Old Testament, pp. 117-118).

É verdade que alguns textos nas Escrituras declaram que o pecado dos pais tem influência sobre a vida dos seus filhos (Lv 26:39; Is 55:7; Jr 16:11; Dn 9:16; Am 7:17). Mas, isto deve ser bem entendido, pois não é uma referência à maldição hereditária, mas à persistência dos filhos de não abandonar os pecados dos pais. Quando uma cultura familiar se torna pecaminosa, dá-se origem a vícios que são aprendidos e reproduzidos. Sendo fiéis ao contexto histórico de toda a narrativa, perceberemos que estas passagens são exortações ao arrependimento, porque a punição era por pecados que tiveram origem nos pais, ou antepassados mais remotos, mas eram pecados ainda perpetuados e praticados por eles mesmos. Nisto percebemos que o cultivo duma cultura familiar corrompida por vícios, idolatria e imoralidades, pecados que são cometidos em família, ensinados pelos pais aos filhos trará a ausência das bençãos pactuais de Deus, mas, cada um será responsável por si, e enquanto não houver verdadeiro arrependimento não haverá transformação.

Esta idéia de maldição hereditária se fazia presente no meio do povo de Israel durante a antiga Aliança. Certamente eles aprenderam com o paganismo das nações vizinhas muitas práticas e crenças que eram abomináveis ao Senhor. Por isso, o profeta Ezequiel denuncia o pecado do povo por acreditar "que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram?" (Ez 18:2). Entretanto, após a repreensão segue a intrução do Senhor dizendo: "tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá (Ez 18:3-4). A argumentação do profeta continua em todo o contexto posterior, deixando bem claro que cada um é responsável pelos seus próprios pecados, e não será o filho punido por causa do pai, nem o pai por causa do filho (versos 5-22).

Até mesmo os discípulos de Cristo necessitaram ser corrigidos deste erro. Numa certa ocasião encontraram um jovem cego de nascença, e questionaram: "mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?" (Jo 9:2). A redundante resposta de Jesus fechou o assunto, ao dizer que: "nem ele pecou, nem os seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus" (vs. 3). Os males físicos e temporais são instrumentos da providência de Deus, para que a Sua glória se manifeste no meio do Seu povo escolhido, e assim, a Sua vontade se torne conhecida (Jo:9:35-39; Rm 8:28).

Quando os verdadeiros crentes caem em pecado, mesmo pecados graves e escandalosos, eles não são abandonados por Deus. Deus nunca desiste deles (Rm 8:31-39). Como um Pai restaura os seus filhos, os disciplina “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos”(Hb 12:6, ARA). O apóstolo Paulo afirma esta mesma verdade dizendo que “quando, porém, somos julgados pelo Senhor, estamos sendo disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo” (1 Co 11:32). É possível cair em pecado, mas é impossível cair da graça de Deus. O teólogo inglês J.I. Packer declara que "às vezes, os regenerados apostatam e caem em grave pecado. Mas nisto eles agem fora de seu caráter, violentam sua própria nova natureza e fazem-se profundamente miseráveis, até que finalmente buscam e encontram sua restauração à vida de retidão. Ao rever sua falta, ela lhes parece ter sido loucura."[Teologia Concisa, p. 224]. O pecado é corrigido individualmente.

Como individualmente pecamos, também somos chamados ao arrependimento! Não posso me arrepender por outra pessoa; entretanto, devo interceder por ela, se ela estiver viva. Não é possível pedir perdão pelos pecados dos meus filhos, nem irmãos, pais, avós ou qualquer outro antepassado. Pecado é confessado, e somente é perdoado pessoalmente. A Bíblia diz que as bençãos da Aliança acompanharão os nossos filhos, pois eles são filhos da promessa. Se você é filho de Deus, você é co-herdeiro com Cristo Jesus do amor de Deus (Rm 8:16-17), e esta é uma promessa para os seus filhos (At 2:39). Mas a Palavra de Deus não ensina que os nossos pecados serão cobrados dos nossos descendentes. Deus haveria de puní-los por uma irresponsabilidade nossa? A doutrina da maldição hereditária nega tanto a suficiência de Cristo, em perdoar graciosamente os nossos pecados, como a fidelidade de Deus em cumprir as promessas da Sua Aliança conosco e com os nossos filhos.

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segunda-feira, 25 de maio de 2009



Blasfêmia contra o Espírito Santo

 

Pr. Cleverson de Abreu Faria

 

De acordo com a mentalidade judaica, blasfemar era cometer uma ofensa séria, porquanto negava ou tratava levianamente a soberania de Deus, bem como a dignidade do homem como criatura de Deus. Além disso, os nomes de Deus eram revelações pessoais do Senhor. Difamar ou degradar o Nome sagrado, o tetragrama YHWH (por exemplo – Iavé) equivalia a rejeitar ou tratar desprezivelmente Sua soberania, Sua misericórdia e Seu poder.

 

A “blasfêmia contra o Espírito Santo” consistia em atribuir a Satanás a obra do Espírito Santo. Veja o verso 12.24, onde está bem claro isto. Este pecado era imperdoável por causa das circunstâncias incomuns de sua rejeição de Cristo. Este seríssimo pecado dos fariseus foi o clímax de sua contínua negação da verdade óbvia que os milagres de Jesus representavam o poder de Deus (veja por exemplo Mateus 9.33-34), de modo que a mensagem de Jesus era autenticada pelo céu. Sua loucura em apostatar deliberadamente, atribuindo ao diabo as poderosas obras de Cristo operadas pelo Espírito Santo, é resumida pelo Senhor Jesus Cristo em Mateus 23.13-36 e Lucas 11.52. Qualquer um que esteja preocupado com sua rejeição de Cristo, obviamente, não cometeu este “pecado imperdoável” e ainda pode vir a Cristo.

 

Existem pecados para a morte espiritual, que é a condenação eterna, se não houver arrependimento. No entanto, o “imperdoável” fere frontalmente o caráter do Espírito Santo. Uma pessoa que peca contra a autoridade e a santidade divinas, por ignorância, fraqueza moral, resistência, tentação, etc., é perdoada. Porém, quando blasfema conscientemente, com conhecimento de causa, para este pecado não há perdão.

 

Mateus 12.31,32. Este pecado parece ser o pecado mais lamentável de todos, pois o Mestre afirma que não há perdão para este pecado. Os pecados contra o Senhor Jesus Cristo podem ser perdoados porque seria muito possível (por causa do Seu humilde nascimento, parentesco insignificante, etc.) questionar as reivindicações que Ele apresentou quanto à Sua divindade. Mas, quando, depois do Pentecostes, veio o Espírito Santo e apresentou à consciência de cada homem evidências suficientes para comprovar a verdade dessas reivindicações, o homem que se recusasse a submeter-se às reivindicações de Cristo era culpado de resistir, insultar e, assim, blasfemar contra a testemunha de toda a Trindade, da qual o Espírito Santo é o Executivo.

 

Vejamos uma análise detalhada de todo o contexto da passagem:

O contexto histórico da passagem demonstra a causa que obrigou Jesus Cristo a revelar tão hediondo pecado. A cura de um homem cego, mudo e endemoninhado provocou o ódio e a inveja dos fariseus. Então, afoitamente, acusaram Jesus de ter expulsado aquele demônio com o auxílio de Belzebu (Mateus 12.24). Esta acusação leviana levou Jesus a falar do pecado imperdoável.

 

Vamos analisar os pormenores do texto e o seu contexto:

 

Os amigos de Cristo tentam segurá-lo - Marcos 3.21.

 

1)      Enquanto Cristo entrou numa Casa uma multidão chegou.

 

2)      Em 3.21, seus amigos parecem estar fazendo um ato caridoso. Prenderam Jesus significa que O estavam refreando, confinando ou limitando. A frase “fora de si” em grego quer dizer, louco.

 

3)      A multidão pergunta: É este porventura o filho de Davi?  - Mateus 12.23. Eles  não puderam explicar seu trabalho, então disseram que era louco. Realmente, o debate aqui é: “É Cristo o Messias ou não?” No original a pergunta é feita de uma maneira que espera uma resposta negativa, ou seja: “Este não pode ser o Messias”.

 

4)      Os fariseus dão sua resposta sobre o poder de Cristo – 12.24

 

A)    O Senhor tinha lançado for a os demônios - Lucas 8.3, e tinha poder sobrenatural em Cristo, mas dão a resposta: “Este poder é satânico”. Eles sabem que há somente dois poderes sobrenaturais: Deus e Satanás, portanto sua escolha é a de que Ele seja um demoníaco e louco.

 

B)    O Senhor Jesus Cristo dá 3 razões porque seus atos não podem ser por poder demoníaco:

a)      Mateus 12.25 - Se Satanás lançasse for a os demônios pelo poder sa tânico, estaria trabalhando contra si mesmo para a destruição de si mesmo.

b)      Mateus 12.27 - O Senhor reconhece que, em Israel, alguns tinham o poder de exorcismo. Por isso seu argumento é: “Por que vocês me acusam de ter o poder demoníaco quando não acusam seus próprios filhos de terem o mesmo poder?”

c)      Mateus 12.29 - Satanás tem um guarda que impede qualquer um de en trar em seu reino para libertar algum que esteja sob seu jugo. Então sou mais forte porque lanço for a os demônios.

 

C)    No versículo 28, Jesus dá a conclusão lógica: “Se, porém eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós”. Em lançando for a os demônios estão oferecendo o Reino de Deus. O reinado mais forte já chegou e é oferecido por um maior, e Rei.

 

5)      Cristo previne-os - Blasfema contra o Espírito Santo:

 

A)    É chamado o pecado sem perdão. Hoje em dia os evangelistas dizem com frequência que quem rejeitasse seu apelo, cometeria esse pecado.

 

B)    Olhe Mateus 12.32 e compare com Marcos 3.29. O Senhor está se refe rindo, primeiramente, a Sua apresentação da Sua própria Pessoa.

 

C)    “Se algum proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado”. Então essa é a rejeição do Senhor sobre a Sua pessoa. Se um homem ouvisse Jesus falar e dis sesse: “eu não aceito seu testemunho'”, poderia ainda ser trazido à fé em Cristo por aceitar os sinais do Espírito Santo. Mas se um homem rejeitasse a ambos, palavras e obras, não haveria nada para ele fazer. Está confirmado no seu peca do. Esse então, é o pecado de Israel, porque rejeita os dois métodos da sua revelação. A prova é esta: “Israel seguirá o testemunho de Jesus Cristo ou dos fariseus? Se rejeitasse o testemunho das palavras e das obras, não haveria outro testemunho para dar. Então o pecado sem perdão é o pecado de Israel uma rejeição final de Jesus Cristo. É uma rejeição da sua própria vontade. A nação é chamada para decidir sobre a Pes soa de Jesus Cristo e essa é a sua decisão - REJEIÇÃO”.

 

Portanto: “A blasfêmia contra o Espírito Santo” em Mateus 12.31 demonstra que este pecado, a rejeição propositada de Cristo e Sua salvação é o único que, pela natureza priva o homem da possibilidade de perdão. Veja Números 15.27-31, onde há referência à oferta para expiação do pecado cometido por ignorância e não do pecado intencional. Cometer pecado intencionalmente era blasfêmia contra o Senhor (Veja Marcos 3.28-29, conforme Lucas 12.10). O versículo 32 apresenta um contraste que à primeira vista parece estranho. A explicação é que o Espírito Santo é Quem oferece a salvação ao coração do homem. “Pelo fruto se conhece a árvore” (12.33). O argumento aqui é que as boas obras de Cristo eram evidência de sua bondade e em consequência não deram lugar à blasfêmia cometida pelos fariseus. A ilustração da árvore é de sentido duplo, porque o versículo 34 mostra tanto a malevolência dos fariseus quanto a bondade de Cristo. “Por tuas palavras” (12.37). Palavras não são a causa, mas a evidência de justificação ou de condenação.

 

Perceba, então que o maior pecado realmente é a rejeição de Jesus Cristo. Quem rejeita a Cristo não tem perdão. Semelhantemente ao que foi ensinado acima.


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